DE CÁ E DELÁ

Daqui e dali, dos lugares por onde andei ou por onde gostaria de ter andado, dos mares que naveguei, dos versos que fiz, dos amigos que tive, das terras que amei, dos livros que escrevi.
Por onde me perdi, aonde me encontrei... Hei-de falar muito do que me agrada e pouco do que me desgosta.
O meu trabalho, que fui eu quase todo, ficará de fora deste projecto.
Vou tentar colar umas páginas às outras. Serão precárias, como a vida, e nunca hão-de ser livro. Não é esse o destino de tudo o que se escreve.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

MÁSCARAS




                         NOTA PRÉVIA

O decaedela publica hoje o centésimo artigo e passa a adotar o acordo ortográfico.
Vou recebendo correio eletrónico a criticá-lo, mas sou a favor. Escrevi, em tempos, neste blogue, um parágrafo mais ou menos assim: fundámos a sociedade mas, atualmente, detemos apenas 5 ou 6 por cento das ações; poderemos continuar a dirigi-la? 
Sei que as línguas são vivas e divergem. Acredito, ainda assim, na bondade de um instrumento regularizador. E, ao contrário do que tenho lido e ouvido, este acordo nem me parece mau.


                            MÁSCARAS



                                                                   África

Quase todos os homens representam. Há muitos que usam duas máscaras e alguns nem ao espelho se desvendam.

Coleciono máscaras ou, pelo menos, vou-as juntando.


                                                                  México

Julgo que a sua produção é tão velha como as primeiras sociedades humanas. Continuam a ser usadas em vários recantos da Europa, nomeadamente em Portugal. Feitas de materiais perecíveis como fibras vegetais ou madeira, resistem mal ao tempo. Apenas as mais recentes chegam até nós.


                                                       Honduras
                                    
Não sendo igual a evolução dos vários agrupamentos humanos, sou tentado a aceitar que todas passaram por fases mais ou menos semelhantes. Essa parte da História apagou-se, provavelmente para sempre.


                                                                  Brasil

A África é uma janela aberta para o passado dos homens. Será por isso que me deslumbra e seduz. Para mais cresci lá, ainda que num ambiente europeu transplantado. A grande maioria das minhas máscaras é africana.

                                                                   Tailândia


A exceção mais importante reside no México, onde adquiri vários exemplares. Comprei-os em Oaxaca, uma cidade de meio milhão de habitantes situada algumas centenas de quilómetros ao norte de Chiappas. Não são produzidas ali: vêm de Santa Cruz, uma cidade litoral distante dos roteiros turísticos. A influência dos índios é clara.
                                                    Marrocos

Entre os negros de África, as máscaras acompanham cada passo da vida social. Fazem de juízes, guardiões dos costumes e pedagogos. Abrem aos jovens as portas da comunidade, nas cerimónias de iniciação. Continuam a ser levadas a sério, nos dias de hoje, por muitos africanos, sobretudo no sul, onde mal chegou a iconoclastia muçulmana. Dão morada aos espíritos. Quem as usa, por um tempo, deixa de ser quem é. Um homem esbate-se na dança e deixa-se possuir pelas almas dos antepassados.


                                                           Veneza

Cada máscara tem uma história e um significado. Se os dados não são colhidos na altura da aquisição, perdem-se para sempre. É possível localizar a origem e até a função de algumas, estabelecendo paralelos com exemplares publicados em livros e revistas. É o que eu tento fazer, com sucesso limitado. Estou a exibir no decaedela algum do meu artesanato africano. Tanto quanto sei, trata-se de cópias. Poucos exemplares terão sido “dançados”.


                                                              Portugal

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