DE CÁ E DELÁ

Daqui e dali, dos lugares por onde andei ou por onde gostaria de ter andado, dos mares que naveguei, dos versos que fiz, dos amigos que tive, das terras que amei, dos livros que escrevi.
Por onde me perdi, aonde me encontrei... Hei-de falar muito do que me agrada e pouco do que me desgosta.
O meu trabalho, que fui eu quase todo, ficará de fora deste projecto.
Vou tentar colar umas páginas às outras. Serão precárias, como a vida, e nunca hão-de ser livro. Não é esse o destino de tudo o que se escreve.

sexta-feira, 13 de junho de 2014




         E vai outra distinção… A maré parece estar a encher…
    O Lions de Portugal atribuiu hoje a uma senhora o prémio (único) de novela. A também única “menção honrosa” coube ao meu conto comprido “O Geronte dos Mares”. 
     Os candidatos eram 67. Havia entre eles alguns escritores brasileiros.


    A escrita é um trabalho solitário, muitas vezes antipático e até antissocial. A gente enfia-se no escritório e tenta  evitar intromissões. 
    Um homem tem uma ideia do próprio valor, mas ela não deixa de ser subjetiva e potencialmente errada. Reconhecimentos como estes afagam o “ego” e dão-nos ânimo para prosseguir a caminhada.




     CRÓNICAS DE AMSTERDÃO

                    II
                A CIDADE




A Holanda conta 18 milhões de habitantes. Do total, 810.000 moram em Amsterdão.
Metade da população é de origem neerlandesa e a outra metade provém de vários recantos do mundo. Veio gente do Suriname, das Antilhas Holandesas, de Marrocos e da Turquia. 


     Como a natalidade é mais elevada entre os recém-chegados, os holandeses originais serão em breve uma minoria na sua capital. Apesar da tradicional tolerância dos Países Baixos para a diversidade étnica e cultural, vão-se registando focos de tensão. A tendência para a segregação adivinha-se na concentração dos descendentes de emigrantes em bairros periféricos, como Nieuw-West, Zeeburg, Bijlmer  e algumas partes do norte da cidade. O Islão é já o credo não cristão mais professado.
Amsterdão não é cidade igual a outras. A tipologia da arquitetura e os múltiplos diques atravessados por um sem número de pontes emprestam-lhe a marca de água.


Para além dum conjunto notável de museus, a capital da Holanda beneficia da fama do seu bairro de luzes vermelhas


e dos múltiplos cafés onde se vende e consome cannabis. O número anual de turistas que a visitam ultrapassa os 3,6 milhões.
Amsterdão é uma cidade sem colinas, o que não espanta nos Países Baixos. A altitude média da cidade é de 2 metros. A ausência de relevo fez crescer o número de ciclistas. Há na cidade mais bicicletas do que pessoas. 


São utilizadas regularmente por todos os grupos sociais. A cultura ciclista começa cedo. Muitas mães transportam consigo crianças pequenas e, nos arredores, durante os fins de semana, veem-se famílias inteiras a passear de bicicleta. Curiosamente, ninguém usa capacete de proteção.


Existe uma profusão de ciclovias e encontram-se muitos parques de estacionamento de bicicletas, alguns com vários andares. O roubo de velocípedes é frequente. Em 2011 foram furtados 83.000.
 Veem-se bicicletas por todos os lados e nem sempre os passeios para peões se distinguem facilmente das faixas para ciclistas. Não existem os engarrafamentos de velocípedes que testemunhei em Cantão há duas dezenas de anos, mas o trânsito afigura-se um tanto anárquico. Curiosamente, não presenciei na capital da Holanda engarrafamentos de automóveis.



Amesterdão não é uma cidade monumental. 


Repetem-se os edifícios de poucos andares, de aspeto sólido, aparentemente construídos em tijolo “burro”. Trata-se de um burgo com personalidade (julgo que possui aquilo a que os anglo-saxões designam por “it”). Não deslumbra, mas vai interessando e acaba por despertar paixões, ainda que poucas vezes aconteça um amor à primeira vista.


É uma cidade “anfíbia”. Tem mais canais do que Veneza. Curiosamente, não vi mosquitos. Confesso que não fizeram falta.  


    Na parte norte da urbe situa-se o IJ, uma antiga baía transformada em lago. 


    A partir do século XVII foi desenvolvido um conjunto de quatro canais dispostos em semicírculo, com as extremidades dando para o IJ. Serviam para defesa, para o controle dos caudais aquáticos e para o transporte de pessoas e bens. Três desses canais contribuíram para o desenvolvimento de áreas de habitação: o Herengracht (canal dos senhores), o Keizersgracht (canal do Imperador) e o Prinsengracht (canal do Príncipe). O quarto canal, mais periférico, é o Singelgracht. Ao longo dos anos, alguns canais foram aterrados para darem origem a ruas ou praças.


O porto de Amsterdão cantado por Jacques Brel mudou-se para um canal junto ao Mar do Norte, capaz de receber os grandes navios modernos. Hoje, é o segundo da Holanda. Roterdão tem agora o maior e o mais importante porto da Europa.
Em 1912, a Economist Intelligence Unit considerou Amsterdão a segunda melhor cidade do mundo para se viver.


 Imagens: as fotografias 2,4,5 e 9 foram retiradas da Internet. As restantes são minhas.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

              

    CRÓNICAS DE AMSTERDÃO



                             I

      UM POUCO DE HISTÓRIA



O nome da cidade de Amsterdão deriva de Amstelredamme. Dam é dique ou barragem em neerlandês, enquanto Amstel era o rio que banhava uma povoação de pescadores conhecida desde o século XII. O pequeno burgo cresceria até se tornar a capital da Holanda. Curiosamente, a sede do governo é em Haia.


A costa holandesa nunca foi estável. Os estuários dos rios Reno, Meuse e Escalda conheceram inundações periódicas e foram modificando os seus cursos. As ilhas Frísias, a norte, estavam antigamente ligadas ao continente. Os holandeses desenvolveram, ao longo dos séculos, um sistema de diques que se foi estendendo e acabou por proteger a linha de costa e os polders (terrenos planos protegidos por barragens e situados muitas vezes abaixo do nível das águas do mar) das fúrias do Mar do Norte. Uma parte considerável do território neerlandês foi conquistada ao mar.


Amsterdão está rodeada por polders. Tornou-se cidade logo no começo do sec. XIV. Prosperou graças ao comércio com a Liga Hanseática. 
O termo “Holanda”, utilizado para designar o país, incomoda muitos dos seus habitantes. De facto, apenas duas das doze províncias têm “Holanda” no nome. A palavra “Nederland” (Países Baixos) é mais consensual.
O território conheceu um desenvolvimento extraordinário no sec. XVI. As cidades cresceram e passaram a abrigar a maioria da população. A região tornou-se a mais densamente habitada da Europa. 


A Holanda foi palco de várias guerras e serviu de arena militar para as ambições e interesses de várias potências europeias.
Foi dominada durante algum tempo pela Espanha.
Carlos V, imperador do Sacro Império e rei da Espanha, casado com Isabel de Portugal, era também conde da Holanda. O seu filho Filipe II de Espanha (o nosso Filipe I) viu esse título ser-lhe retirado em 1581 pelo chamado Ato de Abjuração. 


Os holandeses revoltaram-se devido à imposição de novos impostos e à perseguição movida aos Protestantes pela Inquisição espanhola. Seguiu-se uma guerra que se arrastou durante oito décadas.


A República Holandesa tornou-se conhecida por uma certa tolerância religiosa. Judeus ibéricos, huguenotes franceses e mercadores de regiões vizinhas encontraram abrigo na cidade e contribuíram para o seu desenvolvimento. 


A Holanda sucedeu a Portugal no domínio do comércio marítimo com o Oriente. Instalou-se em alguns pontos do Brasil e chegou a ocupar Luanda. O século XVII, o século de oiro holandês, correspondeu ao nosso declínio e coincidiu, em parte com a perda da nossa independência. A Holanda tornou-se o país mais rico do mundo.
Amsterdão conheceu o declínio durante o sec. XVIII e o começo do sec. XIX. As guerras com a Inglaterra e a França desgastaram o país, que foi integrado na França durante as guerras napoleónicas. Viria a reconquistar a independência em 1815.
Em 1940, A Alemanha invadiu e ocupou a Holanda. Mais de 100.000 judeus holandeses foram deportados para os campos de concentração nazis.


 Anne Frank foi a mais conhecida de todas, devido ao diário que deixou. Morreu no campo de Gergen-Belsen. A sua casa faz hoje parte dos roteiros turísticos da cidade.

Imagens: recolhidas da Internet


sexta-feira, 23 de maio de 2014


          PRÉMIO ALDÓNIO GOMES


                             UNIVERSIDADE DE AVEIRO




                Aos 70 anos, ainda se ganham prémios...



domingo, 27 de abril de 2014

   CANONIZAÇÃO DE DOIS PAPAS




Paulo Mendes Pinto, que não será descendente de Fernão, escreveu ontem no jornal Público que foram canonizados 76 papas no primeiro milénio da era cristã e apenas 5 no segundo. Hoje, duma assentada, o Vaticano apresenta à veneração dos católicos mais dois papas santos.
Os santos não existem, tanto quando sei, na Bíblia. Serão uma criação da Igreja Católica. Julgo que representam um sincretismo entre o monoteísmo da tradição judaica e o politeísmo profundamente enraizado na Europa em que o cristianismo proliferou. Os santos são considerados mais próximos de Deus. Por terem uma vida justa, serão ouvidos mais facilmente pela divindade, geralmente menos atenta às preces do comum dos crentes. Vêm sendo associados desde sempre à produção de milagres.
Milagre é uma interrupção temporária das regras da natureza, conseguida por intervenção divina. Trata-se habitualmente de curas inexplicáveis. Nos tempos modernos, até alguns católicos vão pondo em dúvida a sua existência.
O ar bonacheirão de João XXXIII, a par do seu esforço de renovação da Igreja, com a abertura do Concílio Vaticano II, tornou-o popular mesmo entre os não católicos.


Por outro lado, correram mundo as imagens dos últimos anos de vida de João Paulo II. As fotografias do velhinho muito torto, vestido de branco e agarrado à cruz impressionaram a sensibilidade dos fiéis.
Enquanto o pontificado de Ângelo Roncalli não chegou a durar cinco anos, o papado de João Paulo II foi o segundo mais longo da história da Igreja (27 anos). Foi também o mais mediatizado de todos. O período de tempo prolongado à frente dos destinos do Vaticano expô-lo, naturalmente, a mais críticas. Karol Wojtyla adotou uma postura geralmente conservadora em todas as questões debatidas modernamente no seio da Igreja: o celibato dos padres, a ordenação de mulheres, a contraceção artificial, o divórcio, o aborto e a homossexualidade. Interveio declaradamente no conflito Leste/Oeste, combatendo o Comunismo. Terá esquecido os ensinamentos de Cristo: «A César o que é de César. O meu reino não é deste mundo». O seu papel na evolução política da Polónia, a sua terra natal, poderá fazer dele um patriota, mas dificilmente um santo.
Terá cometido repetidos pecados por omissão. O papa não foi capaz combater eficazmente a pedofilia no seio da Igreja. Os escândalos sucederam-se, um pouco por todo o mundo. Há quem diga que a pedofilia na Igreja Católica é tão antiga como o celibato obrigatório dos padres. A interdição do casamento impede ou, pelo menos, dificulta o exercício duma atividade sexual saudável. Poderá eventualmente contribuir para chamar para o sacerdócio jovens com dificuldades em assumir vidas sexuais normais.
O papa é o Chefe de Estado do Vaticano. Dirige uma organização multinacional que conta com duas centenas de cardeais, um pouco mais de cinco mil bispos, quatro centenas de milhar de sacerdotes e um número apreciável de freiras e frades. Os fiéis são cerca de 1,2 biliões.
Escrevi, não há muito tempo, que um anjo só por milagre acederia ao Poder. Se lá chegasse, apesar da intervenção divina, ficaria depressa com as asas chamuscadas. O Poder corrompe e obriga à tomada de decisões dificilmente compatíveis com a moral. 
A canonização destes dois papas parece traduzir a submissão da Igreja Católica ao marketing político. É a política espetáculo ou, se preferirem, o apostolado espetáculo. Dois papas a canonizarem outros dois garantem o sucesso mediático dum evento que será transmitido pelas televisões de todo o mundo. 

domingo, 20 de abril de 2014

               A MINHA EXPERIÊNCIA COMO MÉDICO DO
                     NAVIO HOSPITAL GIL EANNES



                                  V
                         MÉDICOS  A BORDO  
      
Aqui está a equipa médica do Gil Eannes, em 1970. Não éramos muitos, como veem: eu, do Dr. Barros Pereira e os enfermeiros Matos e Bichão.



Ao centro estão o Capitão de Porto nos Mares da Terra Nova e Gronelândia, comandante Gaspar e o capelão, padre Magalhães.
Eis a equipa de assistência completa:



Quando embarcámos, éramos médicos jovens. Eu não tinha prática de Medicina não tutelada. Nenhum de nós tinha experiência cirúrgica. O conhecido bloco operatório do navio não podia ser rentabilizado. Não havia técnicos de Fisioterapia nem quem soubesse fazer análises clínicas. Vivíamos os últimos anos da pesca à linha e o Grémio dos Armadores da Pesca do Bacalhau começara a desinvestir na assistência.


Foram-nos buscar ao Exército porque éramos os médicos mais baratos (e também mais inexperientes) que havia no mercado. Transferiram-nos para a Reserva Naval e deixaram-nos estar dois anos no posto de Aspirante, para nos pagarem menos.
Cada navio de pesca tinha um enfermeiro a bordo. Era o nosso interlocutor privilegiado. Havia uma pequena farmácia em cada embarcação.
Quando aportávamos a San Jones, os doentes vinham à consulta ao navio. No alto mar, quando as embarcações estavam próximas, faziam o mesmo.


Se algum doente apresentava dificuldades de mobilização, éramos nós que o visitávamos.
          


Como o estado do tempo variava, certa vez, após uma consulta de meia hora, tive de aguardar três dias num navio de pesca antes de haver condições para regressar com segurança ao Gil Eannes.


Existia uma biblioteca a bordo, com alguns livros médicos. Davam jeito essencialmente para quando ocorriam situações a que não estávamos habituados.
A dificuldade em tratar doentes que se encontravam a muitas milhas de distância tem hoje, adaptada aos tempos modernos e às técnicas de imagem, um nome sonoro: tele-medicina. Fomos, de facto, pioneiros nessa área. Tínhamos de avaliar a situação clínica através das descrições que os enfermeiros faziam ao radio-telefone. Conversávamos e tentávamos chegar a um diagnóstico.


Tratando-se duma população geralmente jovem, a ameaça mais temida para a vida era a apendicite aguda. É, como se sabe, uma situação que se pode deteriorar em poucas horas. Sendo impensável perder vidas, desde que o pudéssemos evitar, sentíamos a obrigação de interromper a faina da pesca, de que dependia o sustento de toda aquela gente, apenas quando fosse realmente necessário. Percebíamos de algum modo que o erro mais grave, logo a seguir a deixar perigar o doente, era desencadear um alarme falso e fazer arribar um navio desnecessariamente.


Conversávamos repetidamente com os enfermeiros, procurando seguir com intervalos curtos a evolução dos quadros clínicos.
Inventei alguns truques. Distribuí por todos os navios um desenho com o abdómen do doente dividido em quadrículas, sinalizadas como no jogo da Batalha Naval. Era assim mais fácil entender o ponto exato das queixas dolorosas. «A 3» era a fossa ilíaca direita…
A minha vida de médico dos pescadores do bacalhau não se limitou ao Gil Eannes. Passei um mês em 1970 e dois em 1971 em navios de linha. Cheguei a estar 70 dias sem pôr um pé em terra. O isolamento trazia algumas vantagens: não vinha ninguém trazer a gripe para bordo.
O trabalho era pouco e aborrecia-me. Ocupava o tempo estudando, lendo, pescando (nas poucas vezes em que calhava) ou jogando às cartas. Na Gronelândia, no verão era sempre dia. Pelas 22.30 corria as cortinas e acendia a luz eléctrica, para fingir que era noite. 
A patologia com que deparávamos não nos provocava grandes dores de cabeça. Com a humidade, era comum o reumatismo. Os horários irregulares da alimentação tornavam frequentes as doenças do aparelho digestivo. Eram frequentes os panarícios, consequentes a picadas de anzol e tivemos de enfrentar casos sucessivos de escabiose, que a confinação dos espaços para dormida e a limitação das condições de higiene tornavam quase epidémica. Para que fosse disponibilizada a um doente água suficiente para um banho completo, era precisa uma recomendação médica. Havia também alguma patologia respiratória, geralmente benigna. Consta que, anos atrás, antes da existência das câmaras frigoríficas, era comum o escorbuto.
Raramente tivemos mais de 20 das camas da enfermaria ocupadas por doentes internados. 
Durante os mais de doze meses em que andei embarcado, perdemos três navios. Morreram sete homens nos naufrágios. Pessoalmente, não passei por qualquer situação de perigo, apesar de ter havido um pequeno incêndio no Gil Eannes. O meu colega e amigo Manuel Barros Pereira foi menos afortunado. Desenvolveu uma apendicite aguda. Receoso da pouca experiência dos colegas que o governo dinamarquês colocava em Godthàb, passou algumas horas à entrada do porto da capital da Gronelândia, enquanto se enchia de antibióticos, a ver se a crise aguda passava e se punha em estado de navegar para St. John`s. Por fim lá seguiu, mas o Gil Eannes deparou com um banco de gelo pela frente e foi forçado a contorná-lo.



Passadas 24 horas, progredira o equivalente a duas horas de viagem normal. Eu estava no Neptuno. Trocávamos mensagens jocosas pela fonia, mas estávamos preocupados. Felizmente, tudo correu bem. O meu colega foi operado por um cirurgião canadiano e veio fazer o período pós-operatório para o mar. Decorreram mais de quarenta anos e terminou há muito a guerra colonial que obrigava os jovens portugueses a passarem dois anos em missão de combate em algum dos recantos do Império. 


   De certo modo, fui afortunado. Ninguém me deu tiros e, embora tivesse andado embarcado durante mais de 370 dias, trabalhei em Lisboa durante dois dos quatro semestres que durou a minha comissão. Será difícil esquecer San Jones, os Bancos da Terra Nova e os mares da Gronelândia. Naveguei algumas vezes acima do Círculo Polar Árctico.
   Ironicamente, no processo de selecção dos candidatos que pretendiam trabalhar na vizinhança dos icebergs, contou a elevada classificação que obtive no curso de Oficiais Milicianos Médicos em... Medicina Tropical. 




Fontes:
Amador, Licínio Ferreira – O Gil Eanes. Internet, dezembro 2013.
BERRUE, Pierre. Navires-hôpitaux des Œuvres de Mer de 1896 à 1939. Internet, 2009.
Gil Eannes. Câmara Municipal de Viana do Castelo, Comissão Especial pró Gil Eannes, 1997.
Klein, Randall T. Jr. The codfish industry in northern Portugal. United States Deferment of the Interior. Fish and Wildlife Service. Washingt D. C. February 1950.
OCEANOS – Terra Nova – A epopeia do bacalhau. Nº 45 – Janeiro/março 2001. 


Também publicado no blogue historinhasdemedicina.



    QUARENTA TRABULOS EM VISEU




Aqui estão quatro dezenas de Trabulos, incluindo apêndices e derivados. Ao centro, está o João Fernando, decano em funções por ausência do titular do cargo, Carlos António. O mais bonito de todos não se vê por estar a fazer de fotógrafo.


Sancho Trabulo é o apelido dos Trabulo de Almendra. Chamam-se assim porque um foz-coense, António Joaquim Trabulo, foi casar em Almendra com Márcia Augusta Sancho. Nem todos os filhos nasceram em Almendra: dois são naturais de Figueira de Castelo Rodrigo e um de Foz Coa. Os cinco que estão vivos reúnem-se com regularidade na Páscoa. Desta vez, o encontro fez-se em Viseu e o mais velho ficou em casa.
A Márcia Amélia aproveitou a reunião familiar para apresentar o livro em que regista as lembranças dum tempo que já lá vai. São testemunhos que ficam para memória futura. Junta elementos biográficos a histórias saborosas da infância e da juventude.


Márcia é a menina magra e loira que está à direita da mãe. Eu também não figuro neste retrato, mas desta vez dou uma desculpa diferente: ainda não tinha nascido.


Na contracapa do livro vê-se a igreja de Almendra.



Aqui está o Trabulito mais pequeno da reunião.