CRÓNICAS DE AMSTERDÃO
I
UM POUCO DE HISTÓRIA
O nome da cidade de
Amsterdão deriva de Amstelredamme. Dam é dique ou barragem em neerlandês,
enquanto Amstel era o rio que banhava uma povoação de pescadores conhecida
desde o século XII. O pequeno burgo cresceria até se tornar a capital da
Holanda. Curiosamente, a sede do governo é em Haia.
A costa holandesa nunca
foi estável. Os estuários dos rios Reno, Meuse e Escalda conheceram inundações
periódicas e foram modificando os seus cursos. As ilhas Frísias, a norte,
estavam antigamente ligadas ao continente. Os holandeses desenvolveram, ao
longo dos séculos, um sistema de diques que se foi estendendo e acabou por
proteger a linha de costa e os polders
(terrenos planos protegidos por barragens e situados muitas vezes abaixo do
nível das águas do mar) das fúrias do Mar do Norte. Uma parte considerável do
território neerlandês foi conquistada ao mar.
Amsterdão está rodeada por
polders. Tornou-se cidade logo no
começo do sec. XIV. Prosperou graças ao comércio com a Liga Hanseática.
O termo “Holanda”, utilizado
para designar o país, incomoda muitos dos seus habitantes. De facto, apenas
duas das doze províncias têm “Holanda” no nome. A palavra “Nederland” (Países
Baixos) é mais consensual.
O território conheceu um
desenvolvimento extraordinário no sec. XVI. As cidades cresceram e passaram a
abrigar a maioria da população. A região tornou-se a mais densamente habitada
da Europa.
A Holanda foi palco de
várias guerras e serviu de arena militar para as ambições e interesses de
várias potências europeias.
Foi dominada durante algum
tempo pela Espanha.
Carlos V, imperador do
Sacro Império e rei da Espanha, casado com Isabel de Portugal, era também conde
da Holanda. O seu filho Filipe II de Espanha (o nosso Filipe I) viu esse título
ser-lhe retirado em 1581 pelo chamado Ato de Abjuração.
Os holandeses
revoltaram-se devido à imposição de novos impostos e à perseguição movida aos
Protestantes pela Inquisição espanhola. Seguiu-se uma guerra que se arrastou
durante oito décadas.
A República Holandesa
tornou-se conhecida por uma certa tolerância religiosa. Judeus ibéricos,
huguenotes franceses e mercadores de regiões vizinhas encontraram abrigo na
cidade e contribuíram para o seu desenvolvimento.
A Holanda sucedeu a
Portugal no domínio do comércio marítimo com o Oriente. Instalou-se em alguns
pontos do Brasil e chegou a ocupar Luanda. O século XVII, o século de oiro holandês,
correspondeu ao nosso declínio e coincidiu, em parte com a perda da nossa
independência. A Holanda tornou-se o país mais rico do mundo.
Amsterdão conheceu o
declínio durante o sec. XVIII e o começo do sec. XIX. As guerras com a
Inglaterra e a França desgastaram o país, que foi integrado na França durante
as guerras napoleónicas. Viria a reconquistar a independência em 1815.
Em 1940, A Alemanha
invadiu e ocupou a Holanda. Mais de 100.000 judeus holandeses foram deportados
para os campos de concentração nazis.
Anne Frank foi a mais conhecida de todas,
devido ao diário que deixou. Morreu no campo de Gergen-Belsen. A sua casa faz
hoje parte dos roteiros turísticos da cidade.
Imagens: recolhidas da Internet


























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