PEQUIM
II
Hoje está um belo dia de sol. Visitámos o Mercado de Pérolas,
uma catedral do consumo onde se vende de tudo e onde o meu cartão de crédito emagreceu. Depois, fomos conhecer o Templo do Céu, que fica
perto, no meio de um grande jardim.
Trata-se dum conjunto de edifícios religiosos situados na parte central de Pequim.
Foi construído durante o reino do Imperador Yongle, ao mesmo
tempo que a Cidade Proibida. Não admira que haja semelhanças nas edificações. Os
conceitos arquitetónicos inovadores utilizados em ambos os complexos influenciaram durante séculos as construções
monumentais em todo o Extremo Oriente.
O edifício mais importante é o Hall das Preces para Boas Colheitas.
Era visitado duas
vezes por ano pelos Imperadores das dinastias Ming e Qing que iam implorar ao
Céu bênçãos para a agricultura. Na China antiga, o Imperador era considerado Filho do Céu e representava na terra a autoridade celeste.
A Terra era representada por um
quadrado e o Céu por um círculo. A ligação do Céu e da Terra, do círculo e do quadrado, está bem presente neste templo. Encontram-se diversos edifícios redondos implantados em praças quadradas.
O templo foi ocupado pelas tropas anglo-francesas durante a
Segunda Guerra do Ópio. Voltou a servir de quartel à Aliança das Oito Nações
durante a Revolução Boxer. Deteriorou-se e foi parcialmente saqueado. Os objetos pesados escaparam.
Em Portugal, estes belos vasos arriscavam-se a ser roubados, vendidos a um ferro-velho e fundidos.
Um dos pavilhões laterais.
Um pormenor do edifício.
E uma pintura no seu interior.
Almoçámos, depositámos as compras no quarto do hotel e
repousámos.
De tarde, voltámos a visitar a Praça de Tiananmen. Íamos à procura do moderno Teatro Nacional. Custou a dar com ele.
A minha preguiça impedira-me de fazer o que a prudência e o
bom senso indicavam: procurar um mapa da cidade com os nomes das ruas escritos
em inglês. Resolvi regressar pelo lado este, convencido de que seria fácil
circundar a Cidade Proibida, mas não acreditei na possibilidade de passagem por
uma rua que parecia reservada ao trânsito oficial e perdi-me. Caminhámos quilómetros e quilómetros sem encontrar qualquer saída à nossa direita.
Anoitecia. Pedimos ajuda, com o pequeno mapa facultado pelo hotel. Os nomes das
ruas eram ilegíveis, mas identificavam-se bem os símbolos dos monumentos. Uns transeuntes não sabiam e outros forneciam indicações demasiado vagas. Procurámos apanhar um
táxi, mas os que passavam vinham ocupados. O condutor dum triciclo arvorado em
riquexó insistia em transportar-nos, mas a São receava entrar naquela lata
barulhenta. Teria medo de ser levada para onde não queria.
Eu estava certo de estar próximo do hotel, mas o tempo
passava e escurecia.
Lá tivemos de fazer a viagem de regresso numa dessas espécies
de riquexó. O condutor tentou cobrar-me uma importância exorbitante. Teve
apenas um êxito relativo. Como tive ocasião de verificar, logo ao apanhar um táxi no aeroporto de Xangai, o hábito de explorar os turistas já chegou à China.


