BARCELONA
Voltei
a Barcelona após uma longa ausência. Vivi lá durante quatro meses, há três
décadas e meia, a treinar microcirurgia.
Desde
então, a cidade cresceu, tal como o seu prestígio internacional. Hospedou os
Jogos Olímpicos de 1992 e viu o seu principal clube de futebol tornar-se ainda
mais conhecido em todo o mundo.
A
capital da Catalunha conta agora um milhão e seiscentos mil habitantes, dentro
dos limites da cidade. Os lisboetas são três vezes menos. Contudo, se
compararmos as respetivas áreas urbanas, a desproporção é menor.
O
coração da cidade permanece igual.
O bairro gótico mostra o encanto de sempre e
o interior da catedral continua a deslumbrar.
Notam-se diferenças, aqui e ali. Embora
as Ramblas continuem cheias de gente, as lojas de bairro estão mais vazias.
A
inacabada Igreja da Sagrada Família, o mais notório ex-líbris da cidade, está
em obras.
No Museu Picasso decorre uma magnífica exposição temporária de
autorretratos do artista.
A
mudança maior está na língua que se ouve nas ruas. Quase toda a gente
fala catalão. É na língua nacional que se expressam as televisões locais e se
escrevem os anúncios publicitários.
Em
1978, a Generalidad de Cataluña tinha sido restabelecida há poucos meses. O
castelhano tomara conta das vozes e funcionava como língua franca. Eram
sobretudo os de mais idade que usavam a língua antiga.
Via-se
que muitas pessoas se afadigavam a aprender catalão à pressa. Parecia bem e era
uma exigência para o preenchimento de vários lugares administrativos. O esforço
resultou e a língua nacional saiu das povoações pequenas e da memória dos
velhos para se afirmar de vez na região que a viu nascer.





