DE CÁ E DELÁ

Daqui e dali, dos lugares por onde andei ou por onde gostaria de ter andado, dos mares que naveguei, dos versos que fiz, dos amigos que tive, das terras que amei, dos livros que escrevi.
Por onde me perdi, aonde me encontrei... Hei-de falar muito do que me agrada e pouco do que me desgosta.
O meu trabalho, que fui eu quase todo, ficará de fora deste projecto.
Vou tentar colar umas páginas às outras. Serão precárias, como a vida, e nunca hão-de ser livro. Não é esse o destino de tudo o que se escreve.

domingo, 4 de março de 2018




CRÓNICA DE SINGAPURA

I

AS FESTIVIDADES DO ANO NOVO LUNAR





Quando cheguei a Singapura, estavam a meio as celebrações do ano novo, no calendário lunar chinês. A população da cidade-estado é maioritariamente chinesa (70%) e festas são festas. Com motivos e arranjos diferentes, os arcos nas ruas de China Town fazem lembrar os enfeites de rua nas cidades portuguesas e, até, o Santo António de Lisboa. As aulas interrompem-se e só trabalha quem não pode mesmo escapar-se. Os espaços de lazer estão pejados de gente divertida.
Julgo que os preconceitos têm lugar na elaboração das ideias de todos nós. Estranhei os grandes grupos de jovens chineses de ambos os sexos entretidos num convívio ruidoso em que o álcool desempenhava o seu papel. Admirei-me com os vestidos ocidentais das raparigas, com sapatos e malinhas de mão a condizer. A maquilhagem e os penteados eram ocidentais. Imagino que muitos destes rapazes e raparigas sejam universitários, dispostos a deixar de lado as ideias velhas e a embarcar num estilo de vida bem mais hedonista que o dos pais e avós.
Entrámos num bar enorme com centenas de jovens sentados à volta de mesas. Saímos logo pois o ruído conjunto da música e da animação das vozes ultrapassava a capacidade de absorção dos nossos ouvidos. Lembrei-me então de ter entrado por engano, quarenta anos antes, em S. John`s, num bar de adolescentes, para bater prontamente em retirada perante a ofensiva dos decibéis.


Os enfeites relativos às festividades estão profusamente espalhados pelos lugares públicos e estabelecimentos comerciais. Alguns contratam músicos e dançarinos. O clima de Singapura, que dista apenas 137 quilómetros do Equador, cobra o seu tributo. 
Após uma dança breve, vi sair da parte dianteira do dragão um homem exausto e banhado em suor. A movimentação agitada no interior da fantasia excedia a tolerância física dos dançarinos.


Este é o ano do cão e ele vê-se representado em toda a parte, muitas vezes com imagens ingénuas de influência ocidental. 



Nota: a terceira fotografia foi retirada da Internet.


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