DE CÁ E DELÁ

Daqui e dali, dos lugares por onde andei ou por onde gostaria de ter andado, dos mares que naveguei, dos versos que fiz, dos amigos que tive, das terras que amei, dos livros que escrevi.
Por onde me perdi, aonde me encontrei... Hei-de falar muito do que me agrada e pouco do que me desgosta.
O meu trabalho, que fui eu quase todo, ficará de fora deste projecto.
Vou tentar colar umas páginas às outras. Serão precárias, como a vida, e nunca hão-de ser livro. Não é esse o destino de tudo o que se escreve.

sábado, 22 de agosto de 2015


CRÓNICAS DA INDONÉSIA
VI
KOPI LUWAK
O MELHOR CAFÉ DO MUNDO?

O luwak (civeta) é um mamífero frugívoro da família dos viverrídeos. O seu aspeto é o dum gato de focinho aguçado, orelhas grandes e cauda larga e comprida.
Existem diversas variedades desta espécie, como a civeta africana, também chamada gato-almíscarado, por possuir glândulas anais que produzem almíscar. É aparentado à nossa gineta, que se encontra, por exemplo na Serra da Arrábida, mas é carnívora.


O Kopi Luwak (café Luwak, ou café civeta) é produzido com grãos de café retirados das fezes da civeta. Os grãos são lavados, torrados e moídos.


O processo é utilizado na Indonésia e nas Filipinas. No Vietname existe um café semelhante. Neste caso, o animal utilizado é a doninha. Em Timor Leste chama-se café-iaku.
No Brasil começou a ser produzido uma variante desta bebida, recolhendo grãos de café das fezes do pássaro Jacu. 


O luwak digere os bagos de café. Os grãos, contudo, atravessam o sistema digestivo e são excretados intactos. Serão as bactérias e as enzimas intestinais do animal os responsáveis pelo paladar único deste café, a menos que as glândulas do almíscar contribuam igualmente para o processo.


A produção é limitada. A escassez determina um preço elevado. Se não é o melhor café do mundo, é seguramente um dos mais caros. O Kopi Luwak é vendido nos supermercados da Indonésia a 100 dólares americanos o quilo, o que representa cinco vezes o custo do café arábica local, reconhecido como de elevada qualidade.


Ao transformar-se em negócio, este método de produzir café tornou-se num pesadelo para as pobres civetas. Aprisionadas em pilhas de gaiolas, são alimentados, quase à força, com bagos de café. Os criadores têm sido acusados de crueldade para com os animais.


Há críticos que sugerem que o Kopi Luwak não passa de um café de qualidade inferior, consumido pela novidade e não pela excelência do gosto.
Por outro lado, a falsificação do produto parece tender a generalizar-se. Apenas os conhecedores são capazes de distinguir o café cagado do café comum.




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