DE CÁ E DELÁ

Daqui e dali, dos lugares por onde andei ou por onde gostaria de ter andado, dos mares que naveguei, dos versos que fiz, dos amigos que tive, das terras que amei, dos livros que escrevi.
Por onde me perdi, aonde me encontrei... Hei-de falar muito do que me agrada e pouco do que me desgosta.
O meu trabalho, que fui eu quase todo, ficará de fora deste projecto.
Vou tentar colar umas páginas às outras. Serão precárias, como a vida, e nunca hão-de ser livro. Não é esse o destino de tudo o que se escreve.

terça-feira, 18 de agosto de 2015


CRÓNICAS DA INDONÉSIA
III
A INDONÉSIA

Com mais de 17.000 ilhas, 6.000 das quais habitadas, a Indonésia é o maior arquipélago do mundo. Aliás, a palavra “Indonésia” foi inventada pelos holandeses e tem por base dois termos gregos que significam “ilha”.
As ilhas principais são Java, Samatra, Bornéu (compartilhada com a Malásia e o Brunei), Nova Guiné (dividida com a Papua-Nova Guiné) e Celebes. O país está separado das Filipinas, Singapura e Austrália por estreitos fáceis de transpor.
A situação geográfica, entre os oceanos Índico e Pacífico, fez das suas ilhas, há centenas de anos, entrepostos comerciais. As relações com a China e com a Índia datam de vários séculos antes de Cristo. Os árabes vieram de Guzarate (que fica na Índia, próximo de Damão e Diu) no século XII, e o Islão acabou por se tornar a religião preponderante no arquipélago.



Os seus 250 milhões de habitantes fazem da Indonésia o quarto país mais populoso do mundo. Aproximadamente 60% da população indonésia vive em Java, a ilha mais povoada do planeta.
A seguir a Jacarta, as cidades mais importantes da Indonésia são Bandung, Surabaya, Medan e Semarang.
Existem na Indonésia cerca de 300 grupos étnicos diferentes, com 742 línguas e dialetos vivos. Não surpreende que o lema nacional seja “Universidade na diversidade”. A língua oficial é o indonésio, uma variante da língua malaia. A maioria dos indonésios fala outra língua ou dialeto local.
O maior grupo étnico é constituído pelos javaneses. Representam 40% da população e dominam o país, social e culturalmente. Todos os presidentes da Indonésia foram javaneses, e javaneses continuam a ser os políticos mais importantes.
Os indonésios de origem chinesa são apenas 3 a 4% dos habitantes. Detêm, no entanto, grande parte do comércio e da riqueza do país. Embora os chineses se integrem geralmente bem na sociedade indonésia, ocorrem, de tempos a tempos, surtos de violência contra eles.



                    Mesquita Istiqlal, no centro de Jacarta, fotografada da janela do quarto do hotel

A Indonésia é o país do mundo com mais muçulmanos (representavam 87% do total dos indonésios, em 2010). Cerca de 9% da população é cristã, enquanto 3%  dos habitantes são hindus e 2% são budistas ou pertencem a outra confissão religiosa.
A percentagem de cristãos tende a crescer, o que desperta certa animosidade de parte dos muçulmanos. Existem limitações à construção de igrejas novas. Os guias ironizam, afirmando que é mais fácil abrir uma discoteca ou um hotel do que um templo cristão.
A maioria dos hindus indonésios está em Bali e a maior parte dos budistas do país é de etnia chinesa. Tanto os credos hindus como os budistas, foram influenciados e modificados pelas crenças animistas locais. Apesar de serem agora religiões minoritárias, o hinduísmo e o budismo marcaram de forma decisiva a cultura indonésia.
Curiosamente, a diversidade étnica, religiosa e cultural não impediu a formação de um forte sentimento nacional, embora, esporadicamente, surjam focos de tensão. Eclodiram movimentos separatistas nas províncias de Aceh e Papua. Em Aceh, uma guerra de guerrilha de trinta anos de duração terminou em 2005 com um acordo de cessar-fogo. A situação em Papua tem melhorado com a implementação de leis de autonomia regional.
A Indonésia é uma república presidencialista. O Presidente, que é o chefe do estado e do governo, é eleito diretamente para mandatos de 5 anos, juntamente com o vice-presidente. É o comandante das forças armadas e dirige a administração interna e as relações exteriores. É ele quem nomeia os ministros, que não são obrigados a sujeitar-se a eleições
A Indonésia é um país de contrastes, com áreas densamente povoadas, alternando com zonas pouco habitadas. O seu território tem uma grande biodiversidade, sendo neste aspeto o segundo país do mundo, a seguir ao Brasil. As florestas cobrem ainda 60% do território, embora, em anos recentes, a desmatação se tenha tornado um problema crescente.


                           Dragões-de-Komodo, no zoo de Jakarta

O país é rico em recursos naturais, como petróleo, gás natural, cobre, estanho e ouro. A economia é mista, e tanto o setor público como o privado são importantes. O setor industrial predomina, contribuindo para 46,4 % do PIB, à frente dos serviços (38,6%) e da agricultura (14,4%).
Os indonésios importam sobretudo máquinas, produtos químicos, combustíveis e produtos alimentares. Exportam petróleo, gás, eletrodomésticos, madeira, borracha e têxteis.
Entre 1989 e 1997, a economia cresceu a uma média anual superior a 7%. Atravessou a seguir um período de progresso mais lento mas, desde 2007, voltou a acelerar para mais de 6% ao ano.
Atualmente, a economia indonésia é a 18ª do mundo, sendo a maior do Sudeste Asiático. O presidente do país afirmou em junho de 2011, no decurso do Fórum Económico Mundial sobre a Ásia Oriental que a Indonésia estaria em breve entre as dez maiores economias do planeta. O rendimento per capita é de cerca de 3.700 dólares americanos. Em 2012, a taxa oficial de desemprego era de 6,1% e perto de 12% da população vivia abaixo da linha de pobreza.
A importância do turismo tem vindo a aumentar, depois da crise resultante do atentado de 2002 que vitimou mais de duzentas pessoas, incluindo 164 turistas estrangeiros, num resort de Kuta, em Bali.


              Borobodur, Património Mundial pela UNESCO, é o monumento mais visitado do país.  

A oferta turística é diversificada. Os visitantes podem frequentar as praias de Bali, mergulhar para observar os bancos de coral da ilha de Bunaken, visitar o monte Bromo em Java Oriental ou apreciar o lago de origem vulcânica de Toba, na ilha de Sumatra. A herança cultural é muito rica. Os antigos templos de Borobodur e Prambanan, perto de Jogyakarta, em Java, e de Mengwi, em Bali, entre outros, são visitados anualmente por milhões de turistas.


                                        Bromo

A culinária tem amplas variações regionais e reflete as influências chinesa, hindu, árabe e europeia. O arroz é o alimento fundamental e é servido com carne, peixe e hortaliças. A comida é condimentada, não fosse a Indonésia o país das especiarias.
A liberdade de imprensa melhorou com o fim do regime do presidente Suharto. Existem dezenas de estações privadas de rádio e de televisão. O país está a modernizar-se. Em 2009, 12,5% da população já utilizava a Internet. São vendidos anualmente na Indonésia mais de 30 milhões de telemóveis, quase um terço dos quais é de marcas locais.



Sem comentários:

Enviar um comentário