DE CÁ E DELÁ

Daqui e dali, dos lugares por onde andei ou por onde gostaria de ter andado, dos mares que naveguei, dos versos que fiz, dos amigos que tive, das terras que amei, dos livros que escrevi.
Por onde me perdi, aonde me encontrei... Hei-de falar muito do que me agrada e pouco do que me desgosta.
O meu trabalho, que fui eu quase todo, ficará de fora deste projecto.
Vou tentar colar umas páginas às outras. Serão precárias, como a vida, e nunca hão-de ser livro. Não é esse o destino de tudo o que se escreve.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

       CRÓNICAS DE AMSTERDÃO 

                          V
                                                                           CONTROVÉRSIAS

 O BAIRRO DAS LUZES VERMELHAS



O mais antigo edifício hoje existente em Amsterdão é a Oude Kerk (igreja velha). Em volta dela, desenvolveram-se os locais de trabalho da profissão mais vetusta do mundo. A zona é conhecida como “red light distrit” e faz parte dos circuitos turísticos noturnos da cidade.


A abordagem do fenómeno da prostituição não me deixa grandes dúvidas. Defendo, há muitas décadas, a legalização da atividade, a cobrança de impostos pelos lucros que gera e a inscrição das profissionais nos serviços nacionais de saúde, com direito a subsídio por doença e a reformas minimamente dignas.


O raciocínio em que baseio a minha opinião não é original, mas não deixa de ser simples: se não é possível, como a História o demonstra, erradicar um problema, há que aprender a lidar com ele e a minorar-lhe as consequências deletérias.


Embora fosse escusado, declaro que não sou freguês e que, após os dezassete anos de idade, nunca aluguei uma mulher. Gosto de parafrasear um personagem do filme “O sétimo selo” de Ingmar Bergman, modificando um pouco o contexto: “não acredito nessa forma de amor”.


A meu ver, a ideia aventada há meses, num país europeu, visando penalizar os utentes das prostitutas tem tanto de radical como de hipócrita. E preciso separar as águas: os proibidores sistemáticos, por melhores intenções que tenham, acabam por se posicionar do lado dos fascistas. Há coisas que devem ser ditas com clareza. Os homens têm genericamente direito á liberdade, mesmo que seja a de fazerem asneira. Não estou a dourar a pílula. Há correntes de opinião, eventualmente maioritárias, que devem ser contidas. Hitler chegou ao poder com uma percentagem extraordinária de votos favoráveis.


Nesta questão, as autoridades holandesas têm modos de ver iguais aos meus e fizeram até da zona das meninas mal comportadas um dos ex-libris da cidade.



Fotografias: Internet


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