DE CÁ E DELÁ

Daqui e dali, dos lugares por onde andei ou por onde gostaria de ter andado, dos mares que naveguei, dos versos que fiz, dos amigos que tive, das terras que amei, dos livros que escrevi.
Por onde me perdi, aonde me encontrei... Hei-de falar muito do que me agrada e pouco do que me desgosta.
O meu trabalho, que fui eu quase todo, ficará de fora deste projecto.
Vou tentar colar umas páginas às outras. Serão precárias, como a vida, e nunca hão-de ser livro. Não é esse o destino de tudo o que se escreve.

sexta-feira, 13 de junho de 2014


     CRÓNICAS DE AMSTERDÃO

                    II
                A CIDADE




A Holanda conta 18 milhões de habitantes. Do total, 810.000 moram em Amsterdão.
Metade da população é de origem neerlandesa e a outra metade provém de vários recantos do mundo. Veio gente do Suriname, das Antilhas Holandesas, de Marrocos e da Turquia. 


     Como a natalidade é mais elevada entre os recém-chegados, os holandeses originais serão em breve uma minoria na sua capital. Apesar da tradicional tolerância dos Países Baixos para a diversidade étnica e cultural, vão-se registando focos de tensão. A tendência para a segregação adivinha-se na concentração dos descendentes de emigrantes em bairros periféricos, como Nieuw-West, Zeeburg, Bijlmer  e algumas partes do norte da cidade. O Islão é já o credo não cristão mais professado.
Amsterdão não é cidade igual a outras. A tipologia da arquitetura e os múltiplos diques atravessados por um sem número de pontes emprestam-lhe a marca de água.


Para além dum conjunto notável de museus, a capital da Holanda beneficia da fama do seu bairro de luzes vermelhas


e dos múltiplos cafés onde se vende e consome cannabis. O número anual de turistas que a visitam ultrapassa os 3,6 milhões.
Amsterdão é uma cidade sem colinas, o que não espanta nos Países Baixos. A altitude média da cidade é de 2 metros. A ausência de relevo fez crescer o número de ciclistas. Há na cidade mais bicicletas do que pessoas. 


São utilizadas regularmente por todos os grupos sociais. A cultura ciclista começa cedo. Muitas mães transportam consigo crianças pequenas e, nos arredores, durante os fins de semana, veem-se famílias inteiras a passear de bicicleta. Curiosamente, ninguém usa capacete de proteção.


Existe uma profusão de ciclovias e encontram-se muitos parques de estacionamento de bicicletas, alguns com vários andares. O roubo de velocípedes é frequente. Em 2011 foram furtados 83.000.
 Veem-se bicicletas por todos os lados e nem sempre os passeios para peões se distinguem facilmente das faixas para ciclistas. Não existem os engarrafamentos de velocípedes que testemunhei em Cantão há duas dezenas de anos, mas o trânsito afigura-se um tanto anárquico. Curiosamente, não presenciei na capital da Holanda engarrafamentos de automóveis.



Amesterdão não é uma cidade monumental. 


Repetem-se os edifícios de poucos andares, de aspeto sólido, aparentemente construídos em tijolo “burro”. Trata-se de um burgo com personalidade (julgo que possui aquilo a que os anglo-saxões designam por “it”). Não deslumbra, mas vai interessando e acaba por despertar paixões, ainda que poucas vezes aconteça um amor à primeira vista.


É uma cidade “anfíbia”. Tem mais canais do que Veneza. Curiosamente, não vi mosquitos. Confesso que não fizeram falta.  


    Na parte norte da urbe situa-se o IJ, uma antiga baía transformada em lago. 


    A partir do século XVII foi desenvolvido um conjunto de quatro canais dispostos em semicírculo, com as extremidades dando para o IJ. Serviam para defesa, para o controle dos caudais aquáticos e para o transporte de pessoas e bens. Três desses canais contribuíram para o desenvolvimento de áreas de habitação: o Herengracht (canal dos senhores), o Keizersgracht (canal do Imperador) e o Prinsengracht (canal do Príncipe). O quarto canal, mais periférico, é o Singelgracht. Ao longo dos anos, alguns canais foram aterrados para darem origem a ruas ou praças.


O porto de Amsterdão cantado por Jacques Brel mudou-se para um canal junto ao Mar do Norte, capaz de receber os grandes navios modernos. Hoje, é o segundo da Holanda. Roterdão tem agora o maior e o mais importante porto da Europa.
Em 1912, a Economist Intelligence Unit considerou Amsterdão a segunda melhor cidade do mundo para se viver.


 Imagens: as fotografias 2,4,5 e 9 foram retiradas da Internet. As restantes são minhas.

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