DE CÁ E DELÁ

Daqui e dali, dos lugares por onde andei ou por onde gostaria de ter andado, dos mares que naveguei, dos versos que fiz, dos amigos que tive, das terras que amei, dos livros que escrevi.
Por onde me perdi, aonde me encontrei... Hei-de falar muito do que me agrada e pouco do que me desgosta.
O meu trabalho, que fui eu quase todo, ficará de fora deste projecto.
Vou tentar colar umas páginas às outras. Serão precárias, como a vida, e nunca hão-de ser livro. Não é esse o destino de tudo o que se escreve.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

              

    CRÓNICAS DE AMSTERDÃO



                             I

      UM POUCO DE HISTÓRIA



O nome da cidade de Amsterdão deriva de Amstelredamme. Dam é dique ou barragem em neerlandês, enquanto Amstel era o rio que banhava uma povoação de pescadores conhecida desde o século XII. O pequeno burgo cresceria até se tornar a capital da Holanda. Curiosamente, a sede do governo é em Haia.


A costa holandesa nunca foi estável. Os estuários dos rios Reno, Meuse e Escalda conheceram inundações periódicas e foram modificando os seus cursos. As ilhas Frísias, a norte, estavam antigamente ligadas ao continente. Os holandeses desenvolveram, ao longo dos séculos, um sistema de diques que se foi estendendo e acabou por proteger a linha de costa e os polders (terrenos planos protegidos por barragens e situados muitas vezes abaixo do nível das águas do mar) das fúrias do Mar do Norte. Uma parte considerável do território neerlandês foi conquistada ao mar.


Amsterdão está rodeada por polders. Tornou-se cidade logo no começo do sec. XIV. Prosperou graças ao comércio com a Liga Hanseática. 
O termo “Holanda”, utilizado para designar o país, incomoda muitos dos seus habitantes. De facto, apenas duas das doze províncias têm “Holanda” no nome. A palavra “Nederland” (Países Baixos) é mais consensual.
O território conheceu um desenvolvimento extraordinário no sec. XVI. As cidades cresceram e passaram a abrigar a maioria da população. A região tornou-se a mais densamente habitada da Europa. 


A Holanda foi palco de várias guerras e serviu de arena militar para as ambições e interesses de várias potências europeias.
Foi dominada durante algum tempo pela Espanha.
Carlos V, imperador do Sacro Império e rei da Espanha, casado com Isabel de Portugal, era também conde da Holanda. O seu filho Filipe II de Espanha (o nosso Filipe I) viu esse título ser-lhe retirado em 1581 pelo chamado Ato de Abjuração. 


Os holandeses revoltaram-se devido à imposição de novos impostos e à perseguição movida aos Protestantes pela Inquisição espanhola. Seguiu-se uma guerra que se arrastou durante oito décadas.


A República Holandesa tornou-se conhecida por uma certa tolerância religiosa. Judeus ibéricos, huguenotes franceses e mercadores de regiões vizinhas encontraram abrigo na cidade e contribuíram para o seu desenvolvimento. 


A Holanda sucedeu a Portugal no domínio do comércio marítimo com o Oriente. Instalou-se em alguns pontos do Brasil e chegou a ocupar Luanda. O século XVII, o século de oiro holandês, correspondeu ao nosso declínio e coincidiu, em parte com a perda da nossa independência. A Holanda tornou-se o país mais rico do mundo.
Amsterdão conheceu o declínio durante o sec. XVIII e o começo do sec. XIX. As guerras com a Inglaterra e a França desgastaram o país, que foi integrado na França durante as guerras napoleónicas. Viria a reconquistar a independência em 1815.
Em 1940, A Alemanha invadiu e ocupou a Holanda. Mais de 100.000 judeus holandeses foram deportados para os campos de concentração nazis.


 Anne Frank foi a mais conhecida de todas, devido ao diário que deixou. Morreu no campo de Gergen-Belsen. A sua casa faz hoje parte dos roteiros turísticos da cidade.

Imagens: recolhidas da Internet


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