DE CÁ E DELÁ

Daqui e dali, dos lugares por onde andei ou por onde gostaria de ter andado, dos mares que naveguei, dos versos que fiz, dos amigos que tive, das terras que amei, dos livros que escrevi.
Por onde me perdi, aonde me encontrei... Hei-de falar muito do que me agrada e pouco do que me desgosta.
O meu trabalho, que fui eu quase todo, ficará de fora deste projecto.
Vou tentar colar umas páginas às outras. Serão precárias, como a vida, e nunca hão-de ser livro. Não é esse o destino de tudo o que se escreve.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013


      CRÓNICAS DE NOVA IORQUE


                                  II

Nova Iorque conta cerca de oito milhões e meio de habitantes e resulta da fusão de cinco municípios: Bronx, Brooklyn, Manhattan, Queens e Staten Island. Diz-se que é a cidade do mundo onde se falam mais línguas diferentes. Apesar da prosperidade de muitos dos seus habitantes, 20% vivem abaixo da linha considerada de pobreza.


A maior parte da cidade assenta em três ilhas: Manhattan, Staten Island e Long Island. Brooklyn e Queens ficam em Long Island. Bronx é o único distrito da cidade de Nova Iorque que se situa no continente.  



A ilha de Manhattan fica na foz do rio Hudson. Está ligada ao resto da cidade por mais de quatro dezenas de pontes e túneis. 


Manhattan conta um milhão e seiscentos mil habitantes a residir na área. Atingem rapidamente o dobro, nas manhãs de cada dia útil. Um eficaz sistema de transportes trá-los da periferia aos locais de emprego. Alguns vêm de longe. Às horas de ponta, as ruas enchem-se de milhares e milhares de transeuntes apressados.


Anos atrás, Manhattan era mais populosa, tendo chegado a ser a zona mais densamente habitada do mundo. Na década de 1970, deu-se uma crise económica. Foram encerradas fábricas e estabelecimentos comerciais e muitos moradores mudaram-se para as zonas vizinhas, onde a habitação é mais barata.
Conheço várias cidades cheias de arranha-céus. Vêm-me à ideia Xangai e Hong Kong. A diferença é que, em Nova Iorque, alguns são antigos.


Passam muitas ambulâncias barulhentas, a tentar abrir caminho através do tráfico denso da cidade. Curiosamente, Manhattan é, em Nova Iorque, a ilha que tem menos automóveis por habitante. 75 % da população não utiliza carro, nem para se deslocar até ao local de trabalho, nem nas horas de lazer. Compreende-se por quê. Por um lado, o sistema de transportes públicos é muito diversificado. Por outro, o estacionamento é difícil e caro. Só pode comprar carro quem tem onde o guardar.


À noite, o barulho da cidade filtrado pelos vidros das janelas fechadas faz lembrar o rumor das ondas em Santa Luzia, no Algarve, quando há Levante.


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