DE CÁ E DELÁ

Daqui e dali, dos lugares por onde andei ou por onde gostaria de ter andado, dos mares que naveguei, dos versos que fiz, dos amigos que tive, das terras que amei, dos livros que escrevi.
Por onde me perdi, aonde me encontrei... Hei-de falar muito do que me agrada e pouco do que me desgosta.
O meu trabalho, que fui eu quase todo, ficará de fora deste projecto.
Vou tentar colar umas páginas às outras. Serão precárias, como a vida, e nunca hão-de ser livro. Não é esse o destino de tudo o que se escreve.

domingo, 9 de junho de 2013

                           BARCELONA




Voltei a Barcelona após uma longa ausência. Vivi lá durante quatro meses, há três décadas e meia, a treinar microcirurgia.
Desde então, a cidade cresceu, tal como o seu prestígio internacional. Hospedou os Jogos Olímpicos de 1992 e viu o seu principal clube de futebol tornar-se ainda mais conhecido em todo o mundo.


A capital da Catalunha conta agora um milhão e seiscentos mil habitantes, dentro dos limites da cidade. Os lisboetas são três vezes menos. Contudo, se compararmos as respetivas áreas urbanas, a desproporção é menor.
O coração da cidade permanece igual. 


O bairro gótico mostra o encanto de sempre e o interior da catedral continua a deslumbrar. 


Notam-se diferenças, aqui e ali. Embora as Ramblas continuem cheias de gente, as lojas de bairro estão mais vazias.
A inacabada Igreja da Sagrada Família, o mais notório ex-líbris da cidade, está em obras.


No Museu Picasso decorre uma magnífica exposição temporária de autorretratos do artista.


A mudança maior está na língua que se ouve nas ruas. Quase toda a gente fala catalão. É na língua nacional que se expressam as televisões locais e se escrevem os anúncios publicitários.
Em 1978, a Generalidad de Cataluña tinha sido restabelecida há poucos meses. O castelhano tomara conta das vozes e funcionava como língua franca. Eram sobretudo os de mais idade que usavam a língua antiga. 
Via-se que muitas pessoas se afadigavam a aprender catalão à pressa. Parecia bem e era uma exigência para o preenchimento de vários lugares administrativos. O esforço resultou e a língua nacional saiu das povoações pequenas e da memória dos velhos para se afirmar de vez na região que a viu nascer. 

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