DE CÁ E DELÁ

Daqui e dali, dos lugares por onde andei ou por onde gostaria de ter andado, dos mares que naveguei, dos versos que fiz, dos amigos que tive, das terras que amei, dos livros que escrevi.
Por onde me perdi, aonde me encontrei... Hei-de falar muito do que me agrada e pouco do que me desgosta.
O meu trabalho, que fui eu quase todo, ficará de fora deste projecto.
Vou tentar colar umas páginas às outras. Serão precárias, como a vida, e nunca hão-de ser livro. Não é esse o destino de tudo o que se escreve.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012


                                                                

                                                       XANGAI 



                
Xangai (Shanghai) fica no leste da República Popular da China. É a cidade mais populosa do país e uma das maiores do mundo, a par de Tóquio e de Nova York. O seu porto regista o mais importante movimento de contentores do planeta.
Após a vitória britânica sobre a China na Primeira Guerra do Ópio, o Tratado de Nanking (um dos chamados tratados desiguais) abriu Xangai e outras cidades chinesas ao comércio internacional. Ingleses, franceses e americanos instalaram-se ali, com estatutos administrativos especiais que se sobrepunham à soberania chinesa. Apesar da humilhação nacional, a urbe tornou-se no maior porto chinês de importação e exportação e conheceu um desenvolvimento espetacular.
Quando os comunistas, em 1949, tomaram o poder na China continental, o comércio foi desviado para os países socialistas e Xangai entrou em decadência. Viria a recuperar nos anos 90. As reformas introduzidas por Deng Xiaoping permitiram-lhe retomar o esplendor de outros tempos. 
     Em Xangai, o duplo contraste do Oriente com o Ocidente e da tradição com a modernidade fascina os visitantes. Há quem diga que passear nas suas ruas é assistir a aula viva de arquitetura. 


Ao longo da margem oeste do rio Huangpu, dispõe-se um vasto aglomerado de edificações antigas em estilo europeu.  O conjunto é conhecido por "The Bund" e constitui Património Mundial da Humanidade. 


O Templo Jing`an (templo da paz e da tranquilidade) foi edificado antes da era cristã, num local diferente do atual. Foi mudado para o local que ocupa hoje por volta de 1216. Como outras igrejas com muitos séculos de existência, foi sujeita a restauros sucessivos.


Situado na moderna e cosmopolita Nanjing Road, testemunha a presença da antiguidade na cultura chinesa dos nossos dias.


Mais de meio século de cultura oficial marxista terá tornado ateus muitos chineses. No entanto, continua a queimar-se incenso nos defumadores tradicionais. 
















Buda é venerado em muitos países do Oriente. Vêm-se também nos templos estátuas de heróis e divindades que apenas fieis e estudiosos serão capazes de identificar. 


O templo contrasta vivamente com os arranha-céus que o rodeiam. A arquitetura moderna enquadra-se estranhamente bem no meu gosto geralmente conservador. Xangai seduz e chega a deslumbrar. 


   Tem o encanto das terras amestiçadas em que convergiram culturas diferentes. Trata-se duma urbe ao mesmo tempo velha e jovem, de personalidade bem marcada.


     Apesar da grande quantidade de arranha-céus, conserva à vista o passado chinês e as influências coloniais britânica, francesa e americana.  O novo e o antigo completam-se e fazem dela, a meu ver, uma das cidades mais belas do mundo. Xangai será difícil de esquecer.



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