DE CÁ E DELÁ

Daqui e dali, dos lugares por onde andei ou por onde gostaria de ter andado, dos mares que naveguei, dos versos que fiz, dos amigos que tive, das terras que amei, dos livros que escrevi.
Por onde me perdi, aonde me encontrei... Hei-de falar muito do que me agrada e pouco do que me desgosta.
O meu trabalho, que fui eu quase todo, ficará de fora deste projecto.
Vou tentar colar umas páginas às outras. Serão precárias, como a vida, e nunca hão-de ser livro. Não é esse o destino de tudo o que se escreve.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012



                   XANGAI - II



     Junto ao jardim de Yuyan existe uma zona comercial com construções relativamente recentes a imitar o estilo chinês antigo. Avistei muitos polícias e fiquei intranquilo. Não pareciam estar de férias... Não tenho estatísticas em que me apoiar, mas sempre pensei que, para cada polícia, haveria uma dúzia de ladrões.                 


Um dos guardas tentava em vão controlar o trânsito e fartava-se de apitar. Alguns motoristas desobedeciam-lhe. Ciclistas e motoqueiros, então, não lhe ligavam nenhuma..


O trânsito em Xangai assusta. A disciplina dos condutores ainda não se desenvolveu e a regulação dos semáforos deixa muito a desejar. Quando abre o sinal verde para os peões, abre também para automóveis e motorizadas que mudam de direção. O respeito pelos sinais vermelhos não é constante. Lembro-me de uma citação dos tempos da Revolução cultural: vermelho não pode ser sinal para parar… É frequente encontrar sinaleiros a apoiar os semáforos na regulação do tráfico.
Quase tive saudades dos engarrafamentos de bicicletas que testemunhei em Cantão uma vintena de anos atrás. Curiosamente, não presenciei qualquer acidente de trânsito, mas passei poucos dias na cidade. 
   O metro é satisfatório. As linhas em que circulei (existem 11, sinalizadas por cores diferentes, além da Shanghai Maglev Train) eram modernas ou modernizadas.


As suas 273 estações e os 420 quilómetros de linha fazem dele o comboio metropolitano mais extenso do mundo. Chega a transportar diariamente mais de sete milhões de passageiros. Não é fácil entrar numa carruagem durante as horas de ponta.



Os chineses com que me fui cruzando eram geralmente gentis, mas tinham dificuldade em respeitar prioridades nas filas e pareciam habituados a dar e a receber encontrões. Homens e mulheres correm para os lugares sentados, não se importando de empurrar alguém no caminho.
O metro tem pessoal a mais, para os parâmetros europeus. Existem funcionários que agitam bandeiras verdes para avisar os condutores de que ninguém está encravado nas portas e que podem avançar. Há homens e mulheres com altifalantes portáteis regulados para uma elevada intensidade de som que dão constantemente o que julgo serem instruções sobre a chegadas e partidas dos comboios.
As autoridades chinesas receiam atentados terroristas. Em todas as estações, a seguir às bilheteiras existe controlo de bagagens. Os embrulhos e as mochilas são feitas passar por aparelhos de raios X semelhantes aos que se vêm nos aeroportos de todo o mundo. Existem minorias muçulmanas descontentes em algumas regiões periféricas, junto à velha rota da seda. 
Há pobres em Xangai. Este edifício em demolição continuava a ser parcialmente ocupado, como se vê pela roupa que está a secar. 


Precisava de mais dinheiro chinês. Um yuan vale 0,12 euros ou 0,16 dólares americanos. Após ser informado, num banco comercial, que não era possível trocar ali dólares por yuans, entrei numa dependência do Banco da China. Tive de mostrar o passaporte e de preencher um formulário que pedia, entre outras coisas, o número de telefone do hotel em que estava alojado. Quando chegou a minha vez de ser atendido, a funcionária, sempre correta, inspecionou demoradamente cada uma das minhas notas, antes de as contar, recontar e verificar duas vezes numa máquina. Eram notas de pequeno valor (cinco e dez dólares) e demorou vinte minutos a trocar-me 500 dólares. A mão-de-obra deve continuar a ser muito barata na China. Aquele trabalho fazia-se bem em dois minutos.


Os funcionários do hotel (de uma cadeia internacional) mostraram dificuldade em entender o meu inglês. Reconheço que não é lá grande coisa, mas tem servido para me fazer compreender razoavelmente noutras paragens. Cumprem as obrigações mais estritas. Quando não nos entendem, ignoram-nos. Não fazem ideia dos percursos turísticos possíveis na cidade. Não se disponibilizam para ajudar a fazer o check in on line, impossível após os primeiros passos por virem escritas em chinês todas as instruções subsequentes. Devo referir que estou a falar de voos internos. Lá ficaram os check in para o aeroporto…


Para terminar as impressões de Xangai, deixo aqui uma fotografia do distrito financeiro de Pudong, fotografado do lado do Bund. Os habitantes de Xangai são muito orgulhosos da sua torre de televisão, a que chamam a "Oriental Pearl". 







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