DE CÁ E DELÁ

Daqui e dali, dos lugares por onde andei ou por onde gostaria de ter andado, dos mares que naveguei, dos versos que fiz, dos amigos que tive, das terras que amei, dos livros que escrevi.
Por onde me perdi, aonde me encontrei... Hei-de falar muito do que me agrada e pouco do que me desgosta.
O meu trabalho, que fui eu quase todo, ficará de fora deste projecto.
Vou tentar colar umas páginas às outras. Serão precárias, como a vida, e nunca hão-de ser livro. Não é esse o destino de tudo o que se escreve.

sábado, 22 de dezembro de 2012


                                        PEQUIM II


Hoje está um belo dia de sol. Visitámos o Mercado de Pérolas, uma catedral do consumo onde se vende de tudo e onde o meu cartão de crédito emagreceu. Depois, fomos conhecer o Templo do Céu, que fica perto, no meio de um grande jardim. 


Trata-se dum conjunto de edifícios religiosos situados na parte central de Pequim.


Foi construído durante o reino do Imperador Yongle, ao mesmo tempo que a Cidade Proibida. Não admira que haja semelhanças nas edificações. Os conceitos arquitetónicos inovadores utilizados em ambos os complexos   influenciaram durante séculos as construções monumentais em todo o Extremo Oriente.  
O edifício mais importante é o Hall das Preces para Boas Colheitas.


 Era visitado duas vezes por ano pelos Imperadores das dinastias Ming e Qing que iam implorar ao Céu bênçãos para a agricultura. Na China antiga, o Imperador era considerado Filho do Céu e representava na terra a autoridade celeste.


   A Terra era representada por um quadrado e o Céu por um círculo. A ligação do Céu e da Terra, do círculo e do quadrado, está bem presente neste templo. Encontram-se diversos edifícios redondos implantados em praças quadradas.  


O templo foi ocupado pelas tropas anglo-francesas durante a Segunda Guerra do Ópio. Voltou a servir de quartel à Aliança das Oito Nações durante a Revolução Boxer. Deteriorou-se e foi parcialmente saqueado. Os objetos pesados escaparam.


 Em Portugal, estes belos vasos arriscavam-se a ser roubados, vendidos a um ferro-velho e fundidos.



Um dos pavilhões laterais.



Um pormenor do edifício.


E uma pintura no seu interior.


Almoçámos, depositámos as compras no quarto do hotel e repousámos.
De tarde, voltámos a visitar a Praça de Tiananmen. Íamos à procura do moderno Teatro Nacional. Custou a dar com ele.


A minha preguiça impedira-me de fazer o que a prudência e o bom senso indicavam: procurar um mapa da cidade com os nomes das ruas escritos em inglês. Resolvi regressar pelo lado este, convencido de que seria fácil circundar a Cidade Proibida, mas não acreditei na possibilidade de passagem por uma rua que parecia reservada ao trânsito oficial e perdi-me. Caminhámos quilómetros e quilómetros sem encontrar qualquer saída à nossa direita. Anoitecia. Pedimos ajuda, com o pequeno mapa facultado pelo hotel. Os nomes das ruas eram ilegíveis, mas identificavam-se bem os símbolos dos monumentos. Uns transeuntes não sabiam e outros forneciam indicações demasiado vagas. Procurámos apanhar um táxi, mas os que passavam vinham ocupados. O condutor dum triciclo arvorado em riquexó insistia em transportar-nos, mas a São receava entrar naquela lata barulhenta. Teria medo de ser levada para onde não queria.
Eu estava certo de estar próximo do hotel, mas o tempo passava e escurecia.
Lá tivemos de fazer a viagem de regresso numa dessas espécies de riquexó. O condutor tentou cobrar-me uma importância exorbitante. Teve apenas um êxito relativo. Como tive ocasião de verificar, logo ao apanhar um táxi no aeroporto de Xangai, o hábito de explorar os turistas já chegou à China.

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