DE CÁ E DELÁ

Daqui e dali, dos lugares por onde andei ou por onde gostaria de ter andado, dos mares que naveguei, dos versos que fiz, dos amigos que tive, das terras que amei, dos livros que escrevi.
Por onde me perdi, aonde me encontrei... Hei-de falar muito do que me agrada e pouco do que me desgosta.
O meu trabalho, que fui eu quase todo, ficará de fora deste projecto.
Vou tentar colar umas páginas às outras. Serão precárias, como a vida, e nunca hão-de ser livro. Não é esse o destino de tudo o que se escreve.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012


                                      PEQUIM (BEIJING)

Ficámos alojados num hotel de poucos pisos, a 300 metros da Cidade Proibida. Do outro lado dela, fica a Praça de Tianamen. Poderíamos lá chegar em cinco minutos de marcha, se não fossemos obrigados a contornar os palácios, dando uma volta considerável.


       A Cidade Proibida foi construída entre 1406 e 1420. Consta de quase mil edifícios distribuídos por uma área de 720.000 metros quadrados e é um belo exemplo da arquitetura palaciana chinesa. 



    Serviu de residência aos imperadores  e às suas cortes durante várias dinastias.  Foi a sede política e cerimonial do governo chinês. Até 1911, quando caiu o último imperador, ninguém podia entrar no edifício, exceto a família real, a aristocracia e os seus servidores.


Mesmo com o frio de dezembro, não faltam os visitantes. A grande maioria dos turistas ali presentes hoje era chinesa. Vêm-se muitas excursões lideradas por guias que empunham bandeiras coloridas.


Os vendedores ambulantes retiram-se à aproximação dos polícias para voltarem a montar os negócios logo a vinte ou trinta metros de distância. O produto mais vendido é o gorro de imitação de pele, à Mao, com uma estrela vermelha na frente.



A Praça de Tiananmen, conhecida no Ocidente pelos protestos pró-democracia de 1989 e pela repressão que se lhes seguiu, fica em frente da Cidade Proibida. Vê-se aqui o Grande Hall do Povo, em dia de nevoeiro.
       No lado oposto, fica o edifício do Museu Nacional da China. 



Ao centro, foi levantado o Monumento aos Heróis do Povo. 



     A praça foi construída em 1651 e ampliada por volta de 1950. O seu nome deriva da Porta de Tiananmen (Porta da Paz Celestial) que a separava da Cidade Proibida. O mausoléu de Mao Tse Tung foi construído do lado oposto. 



     Soprava um vento gelado em Tianamen. Ainda assim, havia muita gente a passear na grande praça.



A arquitetura moderna da capital chinesa não deslumbra como em Xangai. Não fossem os carateres publicitários em chinês e em algumas avenidas seria fácil imaginarmo-nos numa grande cidade de qualquer país do mundo.



O Palácio de Verão é triste no inverno, com os lagos gelados e a neblina a ensombrar a apreciação das construções distantes. Avista-se um ou outro patinador no Lago Kunming. 



     Provavelmente, a camada de gelo é ainda pouco resistente e apenas os mais conhecedores ou mais aventureiros se atrevem a retirar os patins das gavetas. Aqui fica a imagem da Ponte dos Dezassete Arcos.



A Colina da Longevidade mal se avistava, encoberta pela neblina. Contentemo-nos com a fotografia de um pavilhão.



Hoje acertámos, pela primeira vez, com a escolha da comida chinesa e pudemos almoçar com certo agrado. Sabemos que, quando deixamos a nossa terra, devemos estar preparados para comer mal, mas temos sempre esperança de nos enganarmos.
Passam muitos filmes de guerra na televisão chinesa. Como seria de esperar, os heróis são os que trazem no gorro o emblema chinês. O inimigo, sempre vencido, nas fitas que espreitei ou era japonês ou desconhecido.
As notícias dos poucos jornais em língua inglesa a que tive acesso sugerem a eclosão do nacionalismo, tão justificado como qualquer dos outros. Impressiona, contudo, quando se pensa na grandeza da China e no poder que já detém e no que virá ainda a alcançar.

Sem comentários:

Enviar um comentário