DE CÁ E DELÁ

Daqui e dali, dos lugares por onde andei ou por onde gostaria de ter andado, dos mares que naveguei, dos versos que fiz, dos amigos que tive, das terras que amei, dos livros que escrevi.
Por onde me perdi, aonde me encontrei... Hei-de falar muito do que me agrada e pouco do que me desgosta.
O meu trabalho, que fui eu quase todo, ficará de fora deste projecto.
Vou tentar colar umas páginas às outras. Serão precárias, como a vida, e nunca hão-de ser livro. Não é esse o destino de tudo o que se escreve.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012


                                                     GUILIN 

          A CIDADE DO RIO LI E DAS MONTANHAS MÁGICAS



Ao viajar de Pequim para Xi`an e de lá para Guilin, pareceu-me estar a andar para trás no tempo. Aqui, o arvoredo não se queixa do frio. A guia turística que contratámos contou que há anos em que se não dá pelo outono, na região. Esta pintura, se não é de lá, engana.


Guilin é a cidade das montanhas deslumbrantes cujas imagens circulam na Internet. É um importante local de turismo interno e vai-se internacionalizando.


No entanto, a abertura da China ao mundo é ainda parcial. No lobby do hotel está instalado um posto de turismo com três funcionários. Nenhum deles entende uma palavra de inglês. Em toda a cidade, acontece o mesmo. As pessoas são simpáticas e tentam ajudar, mas apenas compreendem gestos.
A literatura bilingue exposta no quarto do hotel foi copiada de algures e não corresponde à realidade local. 


Depois de tentar dialogar com a rececionista, uma vez que aquele quarto não dispunha de cofre, voltei ao 10º andar (o nosso hotel tem 19 e é o edifício mais alto da cidade), retirei uma página do livro, escrito em chinês e inglês e levei-lha. A caixa de segurança anunciada não existia.
Lá nos arranjou uma guia que fala inglês. Saímos pela manhã.


Demos um passeio no rio Li. Não tivemos tempo de fazer a viagem aos locais de sonho que se vêm na Internet. O barco levava nove horas para ir e voltar e dispúnhamos apenas de um dia inteiro na cidade. Tivemos de nos contentar com um aperitivo.


Alguns habitantes de Guilin gostam de pescar e usam técnicas variadas. Vi pescar à linha e vi utilizar uma espécie de gaiola piramidal feita de troncos de bambu e de rede.


O pescador parecia apoiar a base no fundo para confinar o peixe que tentava depois arpoar. 


Outros pescadores levam nos barcos 2 ou 3 aves amestradas e vão-os soltando no rio. Voltam com um peixe que entregam ao dono, descansam e regressam ao trabalho, Isto é a teoria, porque não vi trazer qualquer pescado.
    Chamei-lhes patos e não encontrei outro vocábulo mais adequado para os designar em língua portuguesa. Consultei a Internet. Os ingleses chamam-nos cormorants


     Começaram a ser utilizados na pesca cerca de um milénio antes do nascimento de Cristo, na China e no Japão. Os pescadores atam um laço ao pescoço dos das aves para que não possam engolir os peixes maiores.


     Na China, esse tipo de pesca parece ter-se desenvolvido especialmente nas águas pouco profundas do rio Li, em Guilin. Curiosamente, foram (e são) usados também na Macedónia. Fazem lembrar a falcoaria. Parece milagre haver hoje quem ganhe a vida com eles.


Atravessar as ruas das cidades chinesas, mesmo nas passadeiras, é uma aventura. Os peões ocupam a escala mais baixa na consideração social. Um homem num grande Mercedes buzinou arrogantemente para que nos desviássemos, em vez de esperar, como devia.
A comida chinesa de que nos alimentámos durante uma dúzia de dias é muito temperada mas, geralmente, saborosa. Um prato de carne ou peixe, outro de verdura e uma tigela de arroz dão para duas pessoas e sobram. Servem cerveja em quase todos os restaurantes. Não é preciso escolher espaços de luxo. Basta que sejam limpos. Naturalmente, não se consomem saladas nem legumes crus e a fruta compra-se com casca e come-se no hotel, depois de bem lavada.
    Jantámos uma vez de pé, numa ruela de Guilin, à maneira do que havíamos feito em Bangkok duas décadas atrás. Os fritos são baratos e comportam poucos riscos. Numa rasca ao lado, há sempre cerveja fresca.




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