DE CÁ E DELÁ

Daqui e dali, dos lugares por onde andei ou por onde gostaria de ter andado, dos mares que naveguei, dos versos que fiz, dos amigos que tive, das terras que amei, dos livros que escrevi.
Por onde me perdi, aonde me encontrei... Hei-de falar muito do que me agrada e pouco do que me desgosta.
O meu trabalho, que fui eu quase todo, ficará de fora deste projecto.
Vou tentar colar umas páginas às outras. Serão precárias, como a vida, e nunca hão-de ser livro. Não é esse o destino de tudo o que se escreve.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012


            CRÓNICAS DA CHINA


Ao longo de quase sete décadas de vida, andei por muito lado. Banhei-me no Mediterrâneo, nas costas ocidental e oriental do Atlântico Norte e Sul, nas margens africana e asiática do Oceano Índico, em praias chinesas e americanas do Pacífico e também nas grandes barreiras de coral do nordeste da Austrália. Naveguei no Oceano Glacial Árctico, mas a água era demasiado fria para molhar os pés.
Da primeira vez que fui a Macau, há um quarto de século, olhei para as montanhas escuras do lado chinês do território e situei lá os últimos mistérios. Era a China milenar e pouco conhecida de que falaram Marco Polo e Fernão Mendes Pinto. Os mistérios duraram pouco. Desvaneceram-se com o conhecimento, como sempre acontece. As vidas humanas são mais parecidas umas com as outras do que se pode imaginar. Em toda a parte há gente que nasce, cresce, ama, envelhece e morre. As pessoas falam línguas diferentes e rezam a outros deuses, mas em todos os lugares está bem presente a mesmíssima condição humana.


O gigante chinês despertou e o seu imenso espreguiçar está a abalar as economias europeias. A nossa crise está longe de ser apenas financeira. Os asiáticos fabricam produtos mais baratos que os nossos e de qualidade crescente. Os telejornais portugueses continuam cheios de notícias de encerramento de empresas e de despedimentos. O chamado estado social, que levou tantas décadas a construir, começa a ser desmontado. 


Não serve de nada lamentarmo-nos e deitar culpas a chineses e indianos. Eles fazem pela vida. Nós teremos de tornar-nos mais competitivos, produzindo cada vez mais e melhor. Não existe outro caminho.
Visitei há muitos anos Hong Kong e fui uma vez a Cantão (Guangzhou), a terceira maior cidade da China, com mais habitantes do que Portugal inteiro. É berço do cantonês, um dos três dialetos mais falados no país.


Desta vez, eu e a São resolvemos conhecer um pouco melhor a China. Não podendo visitar tudo, selecionámos algumas cidades que nos pareceram mais atraentes. Comprámos bilhetes de avião, reservámos os hotéis na Internet, fizemos as malas e partimos. Como quase sempre, viajámos em grupo. O nosso grupo habitual é constituído apenas por nós dois.
Fui tomando notas, para redigir impressões de viagem. Ao longo de algumas semanas, irei publicando neste blogue uma série de pequenos artigos, à semelhança do que fiz há ano e meio, quando visitei Angola. Vou chamar-lhes Crónicas da China.

Sem comentários:

Enviar um comentário