DE CÁ E DELÁ

Daqui e dali, dos lugares por onde andei ou por onde gostaria de ter andado, dos mares que naveguei, dos versos que fiz, dos amigos que tive, das terras que amei, dos livros que escrevi.
Por onde me perdi, aonde me encontrei... Hei-de falar muito do que me agrada e pouco do que me desgosta.
O meu trabalho, que fui eu quase todo, ficará de fora deste projecto.
Vou tentar colar umas páginas às outras. Serão precárias, como a vida, e nunca hão-de ser livro. Não é esse o destino de tudo o que se escreve.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012


                           A CAMINHO


               O AEROPORTO DE DUBAI


Dubai fica quase a meio caminho entre Lisboa e Pequim. É a cidade mais importante dos Emiratos Árabes Unidos e parece estar a substituir os grandes aeroportos europeus como ponto de escala para o Oriente. O seu aeroporto é já o 11º do mundo em tráfico de passageiros e o 6º em transporte de carga, mas os números não param de crescer. Foi utilizado em 2011 por mais de 50 milhões de passageiros. O novo terminal número 3 constitui a maior instalação aeroportuária do mundo.


Passámos lá cinco longas horas à espera de ligação para Xangai. Os quatro fusos horários de diferença para Lisboa tornaram a demora desconfortável.
Julgo não ter visto antes tanta gente num aeroporto. Cruzam-se línguas e raças. Embora se vejam muitos europeus, nota-se claramente que se está na Ásia.
O aeroporto é um dos grandes empregadores dos emiratos. As pessoas da terra têm acesso às melhores ocupações. Os trabalhos humildes são executados por estrangeiros, maioritariamente indianos, bengalis, paquistaneses e filipinos. As diferenças nos níveis de vida são profundas. A construção civil emprega numerosos estrangeiros (mais ou menos ilegais) que vão conseguindo vistos turísticos sucessivos.


Os funcionários árabes do aeroporto parecem contentes e confiantes. Vê-se que formam boa imagem de si próprios. Muitos ostentam orgulhosamente os seus trajes tradicionais. As mulheres trazem lenço, mas andam de rosto descoberto. De algum modo, fazem-me lembrar os antigos colonos de outras paragens. Têm, abaixo deles, gente que consideram inferior.
A bordo dos aviões dos emiratos a alimentação, sem chegar a entusiasmar, é melhor do que a fornecida pela maioria das companhias em que tenho viajado. Mesmo em voos de custo reduzido servem, às refeições, pequenas garrafas de vinho de boa qualidade. O recrutamento e o treino do pessoal de bordo serão exigentes, à maneira da TAP de trinta anos atrás. A companhia é jovem e as aeromoças ainda não deram em aeroentradotas e procuram ser gentis. Os capitães gabam-se, ao altifalante de que as tripulações são capazes de falar e de entender uma quantidade extraordinária de línguas. O equipamento disponível para a classe económica, em que viajo sempre, tem qualidade. Os pequenos monitores colocados nos assentos traseiros  permitem a escolha individual entre centenas de filmes diferentes.
Não sei se a Emirates Airlines dá lucro. Imagino que não seja esse o objetivo imediato dos acionistas. Parecem estar antes empenhados em superar a concorrência e em alargar as suas fatias de mercado. Acredito que o venham a liderar, num futuro mais ou menos próximo.

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