DE CÁ E DELÁ

Daqui e dali, dos lugares por onde andei ou por onde gostaria de ter andado, dos mares que naveguei, dos versos que fiz, dos amigos que tive, das terras que amei, dos livros que escrevi.
Por onde me perdi, aonde me encontrei... Hei-de falar muito do que me agrada e pouco do que me desgosta.
O meu trabalho, que fui eu quase todo, ficará de fora deste projecto.
Vou tentar colar umas páginas às outras. Serão precárias, como a vida, e nunca hão-de ser livro. Não é esse o destino de tudo o que se escreve.

domingo, 12 de junho de 2011

WACO KUNGO (CELA)


Deslocámo-nos a Waco Kungo, o antigo colonato português da Cela. O nome da povoação provém de dois monolitos rochosos que delimitam, a Sul, a entrada de um vale.
A estrada asfaltada que vai da Quibala ao Huambo apresenta troços danificados. Há que ter atenção que época das chuvas terminou há poucos dias. Ainda assim, os angolanos queixam-se da qualidade do trabalho produzido pelos chineses, que pouparão na espessura do tapete de asfalto, fragilizando o piso.
A cidade é pequena e dispõe de ruas largas com trânsito automóvel reduzido. Lembrar os engarrafamentos de Luanda, traz logo um sufoco à garganta. A povoação está limpa. A aglomeração de lixo parece ser um problema específico da capital. Vêm-se uns tantos edifícios novos e outros reparados, embora os estragos provocados pela guerra estejam em toda a parte, à espera de dias melhores.  Passei, pelo menos, por três agências bancárias. Existem diversos minimercados geridos por levantinos.


A igreja, segundo dizem, é uma réplica da de Santa Comba Dão. Não tenho suficientemente presente na lembrança o modelo original para me poder abalizar a comparações. Encontra-se em bom estado e está aberta ao culto. Vi dois templos recentes que servem credos novos.
Almoçámos num restaurante recuperado, no centro da cidade.
Na vizinhança da Cela, as casas do velho colonato foram arranjadas, pintadas e distribuídas por antigos combatentes das FAPLA (do MPLA) e das FALA (da UNITA).
Esteve aqui recentemente um grupo de técnicos israelitas a treinar os angolanos em técnicas agrícolas intensivas. Aparentemente, tudo voltou à normalidade pouco intensa quando os especialistas judeus regressaram a casa.
Vêm-se algumas fábricas recuperadas. Porém, embora tenhamos efectuado a visita num dia útil, não me pareceu que estivessem a laborar.
A imagem que perdura nas pupilas é a das duas elevações de rocha escura que vigiam, desde tempos esquecidos, a passagem para o Huambo. A minha anfitriã não me soube dizer se o gigante que tenho em frente é o Waco ou o Kungo.

Sem comentários:

Enviar um comentário