DE CÁ E DELÁ

Daqui e dali, dos lugares por onde andei ou por onde gostaria de ter andado, dos mares que naveguei, dos versos que fiz, dos amigos que tive, das terras que amei, dos livros que escrevi.
Por onde me perdi, aonde me encontrei... Hei-de falar muito do que me agrada e pouco do que me desgosta.
O meu trabalho, que fui eu quase todo, ficará de fora deste projecto.
Vou tentar colar umas páginas às outras. Serão precárias, como a vida, e nunca hão-de ser livro. Não é esse o destino de tudo o que se escreve.

terça-feira, 14 de junho de 2011

CRÓNICAS DE ANGOLA - A PONTE DO RIO KEVE

Depois de vencerem o MPLA em Catengue, os sul-africanos entraram facilmente em Benguela e no Lobito. O batalhão "Zulu", reforçado por forças da UNITA, por uma unidade de Chipenda e por um grupo de mercenários, avançou então em direcção a Luanda. O caminho parecia livre. No entanto, em Porto Amboim, a artilharia cubana recém-desembarcada deteve a progressão dos carcamanos.


A 8 de Novembro de 1975, o MPLA e os cubanos fizeram saltar a ponte do rio Keve, 160 quilómetros a Sul de Luanda. Tornou-se impossível aos sul-africanos alcançar Luanda antes do dia 11, data marcada para a declaração de independência de Angola. O flanco sul da capital deixou de estar ameaçado.
Na noite de 10 para 11 de Novembro, as forças da FNLA e da UNITA, apoiadas por um grupo de mercenários brancos, foram derrotados na baixa de Quifangondo, 30 quilómetros a Norte de Luanda. O MPLA pôde celebrar a festa da independência.
Passámos pela ponte nova do rio Keve. A antiga ainda lá está com os sinais de destruição e os restos da passadeira provisória que possibilitou o trânsito, durante anos.

O escudo português vê-se bem, apesar de pintado de branco.


A ponte passa sobre um rápido do rio. Poucos metros a jusante, existe um miradouro para se poder apreciar a paisagem.


Respira-se tranquilidade e ar fresco. Chega a chocar a lembrança de que tanta beleza tenha sido conspurcada pela violência da força invasora.


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