DE CÁ E DELÁ

Daqui e dali, dos lugares por onde andei ou por onde gostaria de ter andado, dos mares que naveguei, dos versos que fiz, dos amigos que tive, das terras que amei, dos livros que escrevi.
Por onde me perdi, aonde me encontrei... Hei-de falar muito do que me agrada e pouco do que me desgosta.
O meu trabalho, que fui eu quase todo, ficará de fora deste projecto.
Vou tentar colar umas páginas às outras. Serão precárias, como a vida, e nunca hão-de ser livro. Não é esse o destino de tudo o que se escreve.

domingo, 19 de junho de 2011

CRÓNICAS DE ANGOLA - OS GUERREIROS ENGORDARAM

A paz engorda os guerreiros. Quase todos os oficiais das FAPLA que se vão encontrando exibem uma apreciável "barriguinha".
Apesar de se manter latente o conflito em Cabinda respira-se, em Angola quase toda, um ambiente de tranquilidade. Persistem, entretanto, nuvens no horizonte. Os ataques aéreos das forças da OTAN à Líbia, país africano produtor de petróleo, levantaram receios novos. Li, num jornal diário, um artigo que defendia o reapetrachamento e a modernização da Força Aérea e da Marinha angolanas, de modo a estarem em condições de defender o País dos predadores de petróleo. Dois dias depois, O Jornal de Angola, na sua primeira página, expressava a posição oficial do governo angolano face aos bombardeamentos do território líbio. Angola condena as agressões exteriores a países africanos. A União Africana tornou públicas posições do mesmo teor.
Almoçámos com amigos antigos numa casa de praia do Futungo. O Mussulo estende-se em frente, limitando a baía.


Quando chegámos, a maré estava cheia. Do muro divisório do quintal à linha de água ia pouco mais de um metro. Quase em frente, fora construído um pequeno cais flutuante para embarcações de recreio.
Quem edificou as casas junto ao mar não cuidou do tratamento das águas residuais. Os esgotos vão dar à baía e a qualidade da água ressente-se da incúria das gentes. Os moradores das vivendas nadam nas suas piscinas ou deslocam-se até à contra-costa, onde as ondas mantém a pureza original. No entanto, os miúdos pobres da vizinhança mergulham alegremente nas águas poluídas. Terão adquirido defesas imunitárias, mas o perigo é óbvio.
Alguns barcos modestos estavam fundeados ao largo. Os seus ocupantes pescavam à linha.
A rua conta menos de uma dúzia de moradias. Pertencem, quase todas, a oficiais generais das FAPLA. Embora entre os proprietários se contem alguns nomes sonantes da nomenklatura angolana, a estrada que os serve não foi alcatroada e apresenta os buracos usuais dos caminhos da gente comum. Possivelmente por uma questão de conformismo, ninguém procurou melhorar o piso. Se foi para dar menos nas vistas, não o conseguiram: a estrada é conhecida por "Rua dos Generais".

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