DE CÁ E DELÁ

Daqui e dali, dos lugares por onde andei ou por onde gostaria de ter andado, dos mares que naveguei, dos versos que fiz, dos amigos que tive, das terras que amei, dos livros que escrevi.
Por onde me perdi, aonde me encontrei... Hei-de falar muito do que me agrada e pouco do que me desgosta.
O meu trabalho, que fui eu quase todo, ficará de fora deste projecto.
Vou tentar colar umas páginas às outras. Serão precárias, como a vida, e nunca hão-de ser livro. Não é esse o destino de tudo o que se escreve.

sábado, 18 de junho de 2011

CRÓNICAS DE ANGOLA - COMANDANTE GIKA

Passei pela Rua Comandante Gika. O Gika era o meu amigo Gilberto Teixeira da Silva, mulato claro de Benguela, da minha idade. Foi meu colega no Lubango, no sexto e sétimo anos do Liceu. Viajámos ambos para Coimbra, no Outono de 1960. Acompanhou-me no primeiro ano da Faculdade.
Enquanto a minha mãe viveu, morei no Largo da Sé Velha. O Gilberto vinha muitas vezes ter comigo, à noite. Ouvíamos música e falávamos da Angola distante. Foram as suas palavras que me trouxeram a voz da História. Ajudou-me a entender que o mundo, tal como o conhecíamos, ia mudar e que o colonialismo tinha os dias contados. Haviam nascido já muitas nações africanas, Angola, Moçambique e a Guiné não tardariam a seguir-lhes o exemplo. A resistência do regime autoritário de Lisboa não iria durar sempre.
Fiel aos seus ideais, abandonou o curso no segundo ano e foi lutar pela independência da sua Pátria. Partiu em 1962. Não o voltei a ver.


Desempenhou cargos importantes na estrutura do MPLA. Viria a morrer em Cabinda, em 1975, numa escaramuça com a FNLA.
Era um rapaz bonito. Dizem que, no seu funeral, compareceram muitas viúvas.
Não tenho fotografias dele. As imagens que publico, fui buscá-las à fotobiografia de Lúcio Lara.

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