DE CÁ E DELÁ

Daqui e dali, dos lugares por onde andei ou por onde gostaria de ter andado, dos mares que naveguei, dos versos que fiz, dos amigos que tive, das terras que amei, dos livros que escrevi.
Por onde me perdi, aonde me encontrei... Hei-de falar muito do que me agrada e pouco do que me desgosta.
O meu trabalho, que fui eu quase todo, ficará de fora deste projecto.
Vou tentar colar umas páginas às outras. Serão precárias, como a vida, e nunca hão-de ser livro. Não é esse o destino de tudo o que se escreve.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

PASTOREEI AS PALAVRAS




Fui levando as palavras ao redil.
Encaminhei-as pelas marcas dos meus passos.

Há lobos no carreiro. As linhas tremem.
Ganha-se e perde-se. Há dias bons e maus.

Semeei letras que nunca se juntaram,
abandonei, por ermos de sentidos,
imprecações e frases desconexas.
Despertei gritos que tive de enfrentar
como a toiros na praça
e que dobrei. Rocei por sílabas
que repicaram como lábios por beijar,
prontos no cheiro a orégãos e a surriada.

Houve palavras que não soube arrebanhar,
entrincheiradas em páginas de livros
ou nómadas, errando
pelos prados das vozes.

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