DE CÁ E DELÁ

Daqui e dali, dos lugares por onde andei ou por onde gostaria de ter andado, dos mares que naveguei, dos versos que fiz, dos amigos que tive, das terras que amei, dos livros que escrevi.
Por onde me perdi, aonde me encontrei... Hei-de falar muito do que me agrada e pouco do que me desgosta.
O meu trabalho, que fui eu quase todo, ficará de fora deste projecto.
Vou tentar colar umas páginas às outras. Serão precárias, como a vida, e nunca hão-de ser livro. Não é esse o destino de tudo o que se escreve.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009






INTRUSO


Amanheci intruso,
estranho nos próprios sonhos,
ausente da memória e das pegadas.

Fui abrindo as portas da lembrança
e entrei, culpado,

como se os cães me ladrassem.

Que há de mim num riso, ou verso,
de ontem?

Sento-me na poltrona dos sessenta,
a rever velhos filmes desbotados
e olho o adolescente que fui
como parente que raras vezes se visita.

Parece quebradiço
o fio que ata aos outros

os dias de uma vida.

Quem poderá chamar realmente suas
as recordações?

1 comentário:

  1. É bom ver-te assumir o teu lado de poeta e verificar que já tiveste cabelo...Um abraço e boa sorte para o 1910

    ResponderEliminar